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ILHAS SATÍRIDAS

No geógrafo e historiador grego Pausânias encontramos a seguinte citação: "Como gostaria de saber mais sobre os sátiros, falava deles com numerosas pessoas. O cariano Euphenos contou-me que, indo a Itália, fora apanhado por uma tempestade e atirado para o mar exterior, onde por costume não se vai. Ali há muitas ilhas desertas, e noutras ilhas povos selvagens. Eles não queriam desembarcar porque já lá tinham estado antes e conheciam os habitantes. Mas, desta vez, foram obrigados a abordar. Os marinheiros chamam a estas ilhas "Satiridas". Os habitantes seriam vermelhos como o fogo e teriam uma cauda, comprida como a do cavalo. Quando viram o barco, aproximaram-se das mulheres que iam a bordo. Intimidados, os marinheiros acabaram por lhes dar uma mulher bárbara. Os sátiros atiraram-se a ela para satisfazer a sua lubricidade."

E na tradução de Jones :

"I, xxiii, 5: Eufemo, o Cariano, disse que numa viagem que realizou a Itália foi desviado da sua rota por ventos que o arrastaram para os mares nunca dantes navegados por marinheiros. Declarou que havia naquelas paragens muitas ilhas desabitadas, ao passo que noutras viviam selvagens... Os marinheiros chamaram-lhes Satirides e os habitantes tinham cabelo ruivo e caudas que não eram muito mais pequenas que as dos cavalos. Assim que se aperceberam da presença dos visitantes, correram para o navio sem pronunciar palavra e assaltaram as mulheres. Os marinheiros, aterrorizados, acabaram por levar uma mulher para a ilha. Os sátiros violentaram-na não da forma usual mas de maneira muito mais chocante."

E também Pompónio Mela, escrevia :

"Além dos sábios e de Homero, Cornelius Nepos, historiador moderno digno de crédito, afirma que a Terra é inteiramente rodeada pelo mar. Para provar esta afirmação, invoca o testemunho de Q. Metellus Celer. Este teria contado o seguinte: quando era proconsul da Gália (no 62 a.C.), o rei de Botes ofereceu-lhe como presente vários "indios". Como Metellus Celer perguntasse donde poderiam ter vindo estes homens, responderam-lhe que "marinheiros dos mares das Indias" os haviam apanhado durante uma tempestade através dos mares intermediários, para, no fim, irem desembarcar nas costas da Germânia..."

Mais uma vez a descrição encaixa quase perfeitamente nas Canárias, especialmente a de Pompónio Mela, estranhamos somente a referência a estes "marinheiros das indias", não porque não seja sobejamente conhecida a existência de laços comerciais entre o Império Indiano dos Guptas e o Império Romano, mas por encontrar estes marinheiros no Atlântico. Existirá porventura alguma relação com as moedas romanas encontradas na Venezuela ?